segunda-feira, 20 de março de 2017

Não Clique Aqui.


O Leitor ignorou o pedido do link que dizia, “Não Clique Aqui”. A curiosidade não permite que o ser humano permaneça seguro. Logo que abriu, viu que era um texto estranho, aparentemente sem sentido, que parecia falar dele mesmo o tempo todo. Nesse momento o Leitor se questionou se esse texto estava realmente tentando lhe enviar algum sinal, ou se era uma mera coincidência. O texto tentava avisar ao Leitor que ele não deveria ter clicado, e que seria prudente tomar cuidado com as coisas que iriam acontecer. O Leitor ignorava a verdade daquelas afirmações. Porém, achou melhor continuar lendo, para descobrir até onde aquela coisa iria.
Descobriu que o texto continha algumas instruções que se propunham a “salvar sua vida”.
1-      Leia o texto até o final.
2-      Acredite, esse é um sinal, e está falando diretamente com você.
3-   Coloque sal entorno da cama, fechando-a em um círculo, para impedir que os demônios cheguem até você.
4-      Não saia do círculo por nada. Quando o relógio marcar seis horas da manhã, você estará a salvo.
5-   A história que se segue é uma previsão do que acontecerá com você caso ignore as instruções.
Eram medonhas aquelas palavras, e não pareciam fazer sentido algum. A mesma curiosidade que colocou o Leitor naquela situação, também o fez ler toda a história que se seguia. Ao terminar de ler, achou interessante, mas ignorou-a pensando que não haveria de ser verdade o que estava posto ali, era no máximo uma criativa história de terror.
O que o desgraçado Leitor não sabia, era que existem demônios capazes de se comunicar com a humanidade por meio das tecnologias. Essa espécie de demônio gosta de jogar com suas vitimas antes de torturá-las. Esse texto, por exemplo, poderia ser um aviso, ou um jogo em que ele te dá chance de escapar de suas garras malévolas. Pena que você ignora que estou falando com você.
Assim que terminou de ler o conto, o Leitor continuou sua vida normalmente. Todavia, ao ir se deitar, lembrou-se do que havia lido, e chegou a ficar em dúvida por um segundo se deveria mesmo, ou não, jogar sal envolta da cama. Besteira, não tinha como aquilo ser real. Escolheu ir dormir sem se preocupar com aquela coisa sem sentido. Desgraçado Leitor que ignora os avisos ao final de cada parágrafo.
Acordou com alguém tocando seus pés. O demônio era esperto o suficiente para saber que na cultura humana, as histórias de terror continham um momento clássico em que uma entidade de outro plano pegava as pessoas pelos pés. Tinha nisso um tom de humor sádico. Humor de demônio. O Leitor acorda assustado com uma criatura dentro de seu quarto. Não conseguia vê-la muito bem, mas era muito alta e disforme. A silhueta era quase humana, mas ao mesmo tempo que parada, era como se chamas queimassem em seu corpo, porém, chamas de sombras e não de fogo. O Leitor lembrou-se instantaneamente do que havia lido mais cedo. Entrou em pânico. Sabia que ignorara o aviso, não colocou sal ao redor da cama, e estava agora, ao alcance do demônio que lhe havia escrito mais cedo, e sabia o que estava para acontecer.
- Sabe o que eu adoro em seres humanos? Estão sempre tão certos de que sabem tudo, que nada além do que eles conhecem pode existir, que você avisa-lo mil vezes dizendo: “ei, isso é o que vai acontecer com você”, e eles ainda te ignoram. – O que é você? O que diabos está acontecendo? – Exatamente, diabos, é isso que está acontecendo. Acho que deveriam revisar essa linguagem, sinto-me ofendido por toda essa "demoniofobia".
Pobre Leitor, estava a merce de uma força que desconhecia, era apenas uma criança assustada chorando em desespero. Tentou gritar para que alguém o socorresse. A garganta não produzia som. Já o Demônio gargalhava. – Ninguém pode te ouvir, está dentro da minha bolha diabólica. Será feita a minha vontade. Nesse momento a força maligna foi se aproximando, o Leitor tentou ainda correr, mas suas pernas paralisaram em questão de segundos. – Vocês humanos não sabem se por em seu lugar, acreditam ser mais poderosos e capazes do que qualquer coisa. A mão do Demônio pegou a criatura pela cabeça e ergueu do chão sem fazer o mínimo esforço. Leitor sentia como se estivessem colocando um ferro de passar roupas ligado diretamente em sua face. Os gritos não saíam por mais que gritasse.
O Demônio achou conveniente brincar de cirurgião. Claro que sem anestesista. Suas garras ferventes sobressaíam de suas mãos como facas. Começou pelos dedos. Leitor queria fechar os olhos, mas não podia, até isso o mal controlava.  O condenado era obrigado não só a ter seus membros cortados a ferro quente, como suportar a imagem, ver o passo-a-passo do serviço pernicioso. O ser perversos começou então a mastigar a carne viva. O prisioneiro sentia como se os dentes do torturador girassem tal qual um triturador. O diabo fazia ainda com que sua carne tornasse a crescer com sua força obscura, para depois triturá-la novamente. A dor era insuportável. A danação era eterna. O que aconteceu a seguir, o demônio não posso dizer, contudo, posso afirmar que era pior que o dito. O que acontece com o Leitor é incerto, e só pode saber aquele que sofre a sentença. Tudo depende da curiosidade do descuidado Leitor que não ouve os avisos, e do inferno de torturas para onde essa mesma curiosidade o pode levar.

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